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Governo restabelece actividades no hospital de TB

Suspensos na semana passada por falta de energia eléctrica, as consultas externas e os serviços de radiologia no Hospital de Pneumologia Raul Floro, único hospital de referência em Guiné-Bissau para pacientes de tuberculose, foram reiniciados essa semana.

Diante da interrupção, o governo guineense forneceu 15 mil litros de gasóleo para o funcionamento dos geradores do hospital durante os próximos três meses e retomou o abastecimento de energia eléctrica pela rede pública.

Os serviços haviam sido suspensos em 24 de Julho porque as autoridades guineenses não cumpriram o acordo estabelecido com a organização italiana de caridade Comunidade Santo Egídio em 2003: garantir energia eléctrica ou combustível para o funcionamento do hospital.

Cerca de 250 pacientes de tuberculose (TB) ficaram sem atendimento durante os quatro dias em que as consulta e o raio-X foram fechados.

“Nossos geradores não tinham capacidade de resposta para todo o hospital, por isso tivemos que suspender esses serviços”, disse António Guilherme Silá, representante da Comunidade Santo Egídio no país.

Cerca de 97% das despesas do funcionamento do hospital Raul Floro são cobertas pela Comunidade Santo Egídio, e tanto as consultas como as análises e o tratamento são gratuitos.

“Agora os serviços já estão funcionando em sua totalidade”, disse António Guilherme Silá, representante da Comunidade Santo Egídio no país. “Esperamos que isso não volte a acontecer. Temos confiança que o governo vai cumprir sua parte do acordo.”

''É uma vergonha nacional não garantir energia elétrica a um hospital que salva milhares de vidas.''
“Vergonha nacional”

Além do tratamento para TB, a instituição administra também antiretrovirais para pacientes co-infectados com TB e HIV, gratuitamente. A TB é uma das primeiras e das mais letais infecções oportunísticas nos seropositivos, e a co-infeçcão de TB e HIV está em aumento em África. A seroprevalência em Guiné Bissau é de quatro por cento.

A suspensão dos serviços na semana passada foi recebida com desagrado pelos familiares dos doentes atendidos no hospital, que responsabilizaram o governo guineense por submeter os pacientes a uma morte lenta.

Ussumane Mané, familiar de um dos pacientes de TB, afirmou que “ é uma vergonha nacional ter um governo que não consegue garantir energia eléctrica a um hospital que salva milhares de vidas.”

Guiné Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com 80 por cento de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza. Um longo período de instabilidade política levou a uma crise económica, deteriorando as condições sociais e levando a uma crise generalizada dos serviços e infra-estrutura.

ab/ll/ms


This article was produced by IRIN News while it was part of the United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs. Please send queries on copyright or liability to the UN. For more information: https://shop.un.org/rights-permissions

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